Puxa o filme

Espaço de debate sobre o fotojornalismo, seus principais fotógrafos, a revolução causada pela tecnologia digital e suas perspectivas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Voltei!


Caros leitores,

Passei um longo tempo sem publicar nada por diversos motivos, mas hoje um grande amigo me influenciou para que voltasse a publicar. Além de uma forma de melhorar a escrita, é também uma ótima maneira de divulgar o meu trabalho. Ao longo desse ano em que eu não atualizei nenhuma vez o blog eu pude estagiar e trabalhar o meu olhar sobre assuntos do meu interesse. Nessa nova postagem eu apresento um trabalho feito em 2008, no dia de São Jorge.

Dia de São Jorge, dia de Ogum


A lateral do Campo de Santana estava toda enfeitada de verde e vermelho no dia 23 de abril. Ainda havia uma enorme fila esperando para entrar na Igreja. As pessoas que saíam se aglomeravam em torno da rua, nas barraquinhas de comida ou perto dos vendedores de "santinhos", terços, fitinhas, colares e até pôsteres. Do lado de fora, fiés deixavam também as velas numa grande bacia, que com água escura refletia as orações no céu.




O que restou da cera no chão, virou só brincadeira de crianças.





A igreja é católica, mas a festa é de todos. Os espíritas também vêm participar, vestido de branco e com colares de contas, deixar velas para o santo Ogum. E como que para agradecer a fé dos devotos, o cavaleiro protetor usa a lança para matar os dragões que assolam a cidade. Estendida na torre como estandarte, uma única palavra parece habitar como prece no coração dos cariocas: PAZ!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

It's War!

Mala com imagens inéditas de Robert Capa é encontrada no México


Uma mala contendo negativos do fotógrafo Robert Capa foi descoberta no México depois de ficar 68 anos desaparecida. São mais de 3 mil fotografias inéditas, contidas em 127 rolos de de filme distribuidos em três caixas. As imagens mostram os combates e cenas cotidianas da Guerra Civil Espanhola. Além das fotos do húngaro, a mala também trazia fotos de David Seymour(Chim) e Gerda Taro, companheira de Capa.

A mala foi encontrada com a familia de um general mexicano, Francisco Aguilar Gonzáles, que também lutou na revolução mexicana sob ordens de Pancho Villa. Depois das negociações, as imagens foram enviadas para o Centro Internacional de Fotografia de Nova York, fundado por seu irmão, o também fotógrafo Cornell Capa.

Os negativos estão agora na Casa George Eastman onde serão analisados e catalogados. Eles podem solucionar a dúvida sobre a veracidade da famosa foto do soldado republicano no momento de sua morte(The Falling Soldier). Como nunca foram encontrados os originais dessa imagem, especulou-se que ela poderia ser uma encenação.

Robert Capa foi um dos fundadores da agência Magnum e dizia que se uma foto não está boa o suficiente é porque não se estava perto o suficiente. O fotojornalista morreu em 1954 seguindo suas próprias palavras: ao tentar se aproximar de um comboio durante a 1ª Guerra do Vietnã para obter um melhor ângulo, ele pisou numa mina terrestre. Apesar do seu corpo ser dilacerado ele não soltou a câmera.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dicas práticas para fotografar melhor

Esse espaço é para toda e qualquer pessoa que queira fotografar ou que goste de fotografia. Por isso, você que é leitor do meu blog e meu interlocutor pode mandar suas perguntas, dúvidas e sugestões, técnicas novas, etc.
Quem quiser também pode enviar um e-mail para luizg_df@hotmail.com

Dicas:

1º Consciência: Defina o que você quer fotografar, ou seja, pense um pouquinho antes de apertar o botão. A melhor fotografia é aquela que te passa alguma mensagem, seja ela pelo conteúdo ou pela expressão. Tenha paciência e espere até o momento certo e com certeza você será recompensado com uma bela foto.

2º Escolha: Selecione um espaço para se fotografar. Se por exemplo você quiser fotografar uma flor, tente encher toda a imagem com ela. Desse jeito o tema fica mais definido e você ganha nos detalhes.

3º Composição: Ande sempre de um lado para o outro, tente se aproximar ou se afastar, suba e desça o ângulo da cena. Essa é a melhor maneira de você escolher o ponto de vista. Na composição você pensa em equilibrar os elementos, por isso tente colocá-los nos pontos de ouro* . Se for de seu gosto, use as diagonais. Elas também valorizam a foto.


*Pontos de ouro: são as partes da imagem que o nosso olhar percorre primeiro e, dessa forma, devem ser priorizados.




Obs.: As regras não precisam ser seguidas sempre, mas são muito boas para treinar e trabalhar seu olho.

4º Sensibilidade: A questão é pessoal. Às vezes, uma boa conversa sem nenhuma foto pelo caminho é melhor do que uma sessão de disparos. Se você for fotografar pessoas para um ensaio, tente conhecê-la antes.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Dois tempos do preto-e-branco: a fotografia de Bresson e Salgado

Henri Cartier-Bresson e Sebastião Salgado são considerados como os dois fotógrafos mais importantes do século XX. O francês Cartier-Bresson foi co-fundador da agência Magnum Photos junto outros fotógrafos importantes, como Robert Capa e David Seymour. Também criou o conceito de momento decisivo, importante para o desenvolvimento do fotojornalismo no mundo.
Salgado tem uma trajetória diferente, já que só começou a fotografar quando tinha mais de trinta anos por sugestão da sua mulher, Lélia. O brasileiro nascido em Aymorés, é responsável por um dos mais importantes trabalhos de fotografia documental voltado para as causas sociais no mundo: a trilogia Trabalhadores, Terra e Êxodos.
Uma diferença entre o trabalho do dois está no comprimento de pautas especificas. Cartier-Bresson conheceu o mundo e acabou fotografando momentos importantes da história mais por ajuda do acaso. Já Salgado desenvolve suas pautas através de longas pesquisas de um determinado tema e leva anos para completá-las. A trilogia citada acima, por exemplo, constrói um discurso sobre os efeitos negativos que a globalização causou no mundo.
Outra diferença expressiva é que o fotógrafo brasileiro critica o momento decisivo de Cartier-Bresson porque esse instante estaria tangente ao vértice da função da fotografia. Para aproveitar esse momento ao máximo, Salgado então propõe o “fenômeno fotográfico” que passa em linha reta por dentro da parábola da função entre o tempo real e a fotografia. Desse modo, ele pode conhecer de maneira profunda os temas que retrata.
Através da análise semiótica dos livros de Sebastião Salgado ainda nota-se uma construção narrativa complexa, em que a ordem das fotos também produz um efeito de sentido de subjetividade e aproximação dos problemas sociais. O enunciador dialoga com o enunciatário, tentando o convencer e talvez engajá-lo na luta por uma sociedade democrática.
Henri Cartier-Bresson parece se preocupar mais com o sentido presente na foto em si e, por isso, trabalha com desenhos e sombras. O olhar do fotojornalista transcende a imagem fotografada, característica de seu estilo zen. Mas nunca sem esquecer que “mais importante que a fotografia, são as pessoas.”

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Sem angústias nem explicações: O olhar zen subexposto de Henri Cartier-Bresson

A interrogação no título do filme já indicava que os mistérios do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson não seriam revelados. Logo de início o fotojornalista, co-fundador da Agência Magnum Photos, declarou que o importante ali não seria suas respostas, mas sim o teor das perguntas. Foi tão ousado quanto suas fotos.

Arrogante, Cartier-Bresson respondia a sua ex-mulher com provocações. Quando questionado se já teve um grande amor, ele disse que sim, mas não a alguém ou a alguma coisa. O fotógrafo demonstrava ali seu lado mais zen, falando de que devia o amor a todas as coisas lindas que já fotografou como árvores, pássaros e até mesmo o cosmo. O zen não se referia a nenhuma religião, mas uma maneira diferente de dialogar com o mundo.

A primeira obra fotográfica, conhecida na França como “Images à la Sauvette”, ganhou um título inusitado na Inglaterra: “The Decisive Moment”. Esse momento se tornaria uma inspiração para todos os fotógrafos, amadores ou profissionais, já que trabalha com um momento tão furtivo e quem sabe, merecedor de ser congelado. Capturar esse instante crucial traz a angústia de estar no lugar certo e na hora certa. Embora amenize qualquer aflição citando uma frase de Rodin: “O que se faz com tempo, o tempo respeita.”

Talvez o grande colaborador de Bresson seja o acaso. O fotojornalista conheceu diversos países e pode retratar momentos importantes da história mundial. Ele estava na Espanha durante a Guerra Civil, na Índia quando Mahatma Gandhi foi assassinado e na China durante a revolução cultural de Mao Tsé Tung. Foi também o primeiro fotógrafo ocidental a ter autorização para retratar a vida da União Soviética.

Era membro do partido comunista francês e foi duas vezes preso durante a 2ª Guerra Mundial. Após o conflito o Museu de Artes de Nova Iorque fez uma exibição de fotos “póstuma”, mas Bresson ainda estava vivo. O fato inusitado se repetiu no verdadeiro fim de sua vida. A imprensa mundial só descobriu a sua morte dois dias depois.

Cartier-Bresson deixou muito mais do que sua obra ou seu modo de vida. Para ele "Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração". A fotografia não é só a técnica, ou só a paralisação do tempo real. Revela-se junto da imagem um pouco da consciência e dos sentimentos do ser humano.

Quem sou eu

Luiz Guilherme Fernandes
Niterói, RJ, Brazil
Estudante de Jornalismo/UFF e Fotógrafo amador
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  • Fotojornalismo - Evandro Teixeira
  • O Negativo - Ansel Adams
  • The Decisive Moment - Henri Cartier-Bresson
  • Trabalhadores - Sebastião Salgado

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